Caxias, flor do arbusto

JORNAL PEQUENO

Caxias em Off

Jotônio Vianna

15 de julho de 2014 – Terça-feira

Cultura & Variedades

C:\Users\vaiosony\Pictures\CAXIAS II.jpg Estudiosos apontam que o topônimo Caxias era grafado antigamente com ch, e não com x: Cachias. O professor Basílio de Magalhães, em anotações à obra de Spix e Martius, grafa Cachias. Para ele, “é a melhor grafia do topônimo”, pois provém do nome cachia (como se pode ver no excelente dicionário de Morais) dado à ‘esponja’, flor do arbusto ‘corona christi’.

A entrada em vigor do Decreto n.° 311, de 2-3-1938, no Estado Novo, que proibia mais de uma cidade brasileira com o mesmo topônimo, causou rebuliço no Rio Grande de Sul e no Maranhão, particularmente no último, porque se tentou alterar a antiga denominação já dada a Caxias. Autoridades do Conselho Nacional de Geografia oficiaram o fato à Comissão Regional de Geografia no Maranhão, à época presidida por José Eduardo de Abranches Moura… Dr. Abranches Moura fez minuciosa pesquisa em todo o Estado, encontrando no Maranhão 27 cidades e três vilas com os mesmos nomes.

Mapas

Preparava Abranches os novos mapas quando recebeu o telegrama de nº 192 (1-11-1943), da Comissão Nacional, encarecendo-lhe “valioso apoio caso o nome Caxias, em face das numerosas representações que estão chegando da Comarca Fluminense, onde nasceu o grande brasileiro, ficaria Duque de Caxias; e que a Comarca gaúcha, de grande importância econômica, continuaria apenas Caxias e que a Comarca do Maranhão mudaria para Marechal Caxias ou Caxias do Norte”…

Consultas

…Após consultar vários colegas, Abranches confirmou ao embaixador Macedo Soares, pelo telégrafo, que a Comissão Revisora maranhense era contra a mudança, alegando que havia sido a cidade maranhense que dera o título de Barão de Caxias ao Patrono do Exército. No que tangia à importância da Comarca, revelava que Caxias do Maranhão era igualmente um centro de alta importância econômica, além de berço de muitos brasileiros ilustres… Em seu relatório, advertiu que “tínhamos por dever sustentar a conservação do nome de Caxias à nossa Princesa do Sertão, nome que nos era caro pela sua Antiguidade, desenvolvimento e tradição”…

Reação

…Houve forte reação gaúcha, que, a qualquer preço, queria modificar o nome da cidade maranhense para permanecesse como Caxias apenas a cidade sulista… O Embaixador Macedo Soares, na época presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, endereçou novo telegrama ao Dr. Abranches Moura com o intuito de convencê-lo a dar a Caxias o nome Barão de Caxias para atender ao pedido dos sulistas que reivindicavam o nome Caxias para a cidade gaúcha…

Truncamento

…Alarmado, Abranches Moura respondeu apontando um truncamento no seu despacho telegráfico, pois nunca dissera que a cidade de Caxias era chamada de Barão de Caxias, mas sim que a cidade maranhense era quem dera o nome Barão de Caxias ao coronel Alves de Lima e que Caxias sempre se chamara Caxias…

Lista

…Ele ainda acrescentou que, além disso, a lista definitiva dos nomes de cidades e vilas, enviada ao conselho de Geografia, pertencia à comarca maranhense de nome Caxias e que nessas condições a Comissão Revisora já organizara o decreto e seus respectivos anexos já aprovados pelo Conselho Administrativo…

Tendencioso

…Mas Macedo Soares insistiu por telegrama na tese de que o melhor para Caxias seria aceitar a denominação de Barão de Caxias para não desagradar os sulistas… Mas ao fim venceu a tese de Abranches Moura, com os gaúchos se contentando com a denominação de Caxias do Sul, que se mantém até hoje…

Justiça

…A batalha de Abranches Moura não fora das mais fáceis. Em seu último telegrama, ele afirma: “… Vê-se que foi feita justiça ao Maranhão, cujos direitos foram reconhecidos”…

Invasão portuguesa

…O grande maranhense elaborou uma expressiva monografia ilustrativa sobre a história caxiense, começando por afirmar que, “no Século XVII, era enorme a invasão dos portugueses que entravam no interior da Província, fazendo com que os índios timbiras, que aí habitavam, se refugiassem no meio das florestas, a fim de fugirem às perseguições, e que num dos pontos do rio Itapecuru os índios escolheram um lugar no qual fundaram diversas aldeias…

Tresidela

…Para ele, “é de se crer que o primitivo lugar fosse o hoje chamado Tresidela, que alguns querem traduzem como “do outro lado”, mas que, segundo a opinião de Gonçalves Dias, exarada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, Tresidela não é mais do que uma corrupção de Treze Aldeias, o que mais concordaria com os fatos”.

 

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Ana, por ela mesma…

JORNAL PEQUENO

Caxias em Off

Jotônio Vianna

08 de julho de 2014 – Terça-feira

Cultura & Variedades

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=344690

Visitei há algum tempo a cidade de Caxias das Aldeias Altas, após mais de trinta anos da viagem em que a conheci. Continuava linda, derramada em vales de flores perenes, por cima do morro do Alecrim com largas vistas. Caxias é um velho burgo do Maranhão, no limite com o Piauí, pelo médio Itapecuru. Chamam-na de Princesa do Sertão, e tem mesmo uma nobreza em suas construções antigas, na localização, e na história repleta de insurreições idealistas. Supõe-se que a cidade tenha nascido – no local de onde foram escorraçadas centenas de tribos indígenas que, ali, viviam como os Guanarés – de uma escola fundada pelo padre Malagrita em 1742, com uma presença histórica de portugueses letrados. Se for verdadeiro este fato, talvez possa explicar ali terem nascido tutelares na literatura, como Coelho Neto e Gonçalves Dias – este, personagem de um romance que escrevi em parte inspirada por ecos de minha passagem pela cidade, na juventude…

Convite

…Fui a convite de gentis moradores, e instituições caxienses, para falar de minha relação com o grande poeta e visitar o local de seu nascimento. Gonçalves Dias nasceu num tempo tristemente interessante, de guerras ligadas à Independência, e seu pai, português amasiado com uma mestiça brasileira, precisou fugir levando a mulher mato adentro, prestes a dar à luz…

Trilhas

…Venceram trilhas, abriram caminhos, atravessaram águas, subiram colinas, até o sítio onde se localizava a casa do irmão do português, e, dizem os moradores locais, perto de aldeias quilombolas de onde teria se originado a mãe de Gonçalves Dias…

Sósia

…Refiz esse caminho, por uma nova estrada onde passa carro, acompanhada de parte da elite intelectual caxiense, incrivelmente bem-humorada e afiada na inteligência, a fazer de suas tiradas brilhantes naquele belo português maranhense. Parecia que Gonçalves dias estava ali, conosco. Mesmo porque, um dos poetas da Academia era quase seu sósia, até nos gestos e no modo de falar lembrando o século 19…

Atmosfera

…O local de nascimento de Gonçalves Dias tem uma atmosfera impressionante. É uma clareira, no alto de um morro, onde não há nem mais ruínas do antigo sítio, apenas um marco de pedra, com os dizeres, “Aqui nasceu Antonio Gonçalves Dias, O Imperador da Lira Americana, em 10/08/1823″, ali posta no centenário de sua morte, pela prefeitura…

Isolamento

…Ver aquele isolamento, abandono, as duras condições de nascimento do poeta, faz pensar as incríveis maquinações do fado.

Autora

Ana Miranda é romancista, autora de Boca do Inferno, Desmundo e Dias e Dias (baseado na biografia de Gonçalves Dias). Esta crônica (editada em tópicos na coluna) sobre sua passagem por Caxias, por ocasião da Feira do Livro, Salic e Proler, foi publicada na revista Caros Amigos.

Trecho de carta

[...]

Ardam teus dias como o feno, – ou durem

Como o fogo de tocha resinosa

Não cesse o teu cantar, ó triste Bardo!

Trecho de carta II

“[...] Assim é: a poesia não é a tradução da linguagem dos astros na placidez da noite – nem do vento gemendo nos leques da palmeira – nem da fonte sussurrando na solidão das matas: a poesia é dor, é sofrimento, é o espinho da vida a entranhar-se pelo coração que nos arranca um grito – a que se chama – ode ou poema. Quem sofre pode não ser poeta; mas o poeta duvido que não sofra. – Adeus – estou hoje tolo, maníaco e mazombo – Lembranças a todos – Muitos beijos no Ricardinho – de novo Adeus. – Teu do coração. – G. Dias”.

 

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CAXIAS,

Neste 05 de julho, a cidade completa 178 anos de emancipação política

 

A história de Caxias começa, no século XVII, com o Movimento de Entradas e Bandeiras ao interior maranhense para o reconhecimento e ocupação das terras às margens do Rio Itapecuru, durante a invasão francesa no Maranhão, principalmente, com o trabalho valoroso dos missionários religiosos em busca de almas para a fé cristã.

 O local onde se acha situada a bela cidade de Caxias foi, primitivamente, um agregado de grandes aldeias dos índios Timbiras e Gamelas que conviviam pacificamente com os franceses. Porém, com a expulsão dos franceses do Maranhão, em 1615, os portugueses reduziram tais aldeias à condição de subjugadas e venderam suas populações, como escravos, ao povo de São Luís.

Várias denominações foram impostas ao lugar, dentre as quais: Guanaré – denominação indígena -, São José das Aldeias Altas, Freguesia das Aldeias Altas, Arraial das Aldeias Altas, Vila de Caxias e, finalmente, através da Lei Provincial, número 24, datada de 05 de julho de 1836, fora elevado à categoria de cidade com a denominação de Caxias. Foi na Igreja de São Benedito que, em 1858, o antístite da Igreja Maranhense, Dom Manoel Joaquim da Silveira, denominou Caxias com o título: “A Princesa do Sertão Maranhense”.

É bom lembrar que, ao contrário do que muita gente pensa, o nome Caxias não se atribui a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro. Ele, sim, recebeu o título Barão de Caxias, por ter sufocado a maior revolução social existente no Estado do Maranhão: a Balaiada. A cidade de Caxias foi palco da última batalha do movimento. Posteriormente, já em terras do Rio de Janeiro, o Barão de Caxias foi condecorado, novamente, com o título de Duque de Caxias.

Geralmente quando os portugueses criavam, num lugar, uma Vila, mudavam-lhe o nome, às vezes criando uma homônima do Reino nas Colônias. Inicialmente, a grafia “Cachias” viera de Portugal, que se refere a uma excelente Quinta Real que existia nos arredores de Lisboa perto de Oeiras (Portugal) outra bonita quinta do Márquez de Pombal, que era também residência real. Nessa área existia uma estação de caminho de ferro de Cascaes, onde cascaes é lugar que tem uma estação balneária, com água excelente e caldas térmicas muito procuradas para o tratamento de paralisias e reumatismo.

Situada na meso-região do leste maranhense e na micro-região do Itapecuru, Caxias tem uma área de 5.313.10 Km² dentre os 333.365,00 Km² do Estado e está a 365 quilômetros da capital do Maranhão, São Luis, e uma população de, aproximadamente, 156 mil habitantes. Geograficamente, em relação ao território nacional, o município de Caxias está localizado na região Nordeste do Brasil, Oeste do Norte Brasileiro e a Leste do Estado do Maranhão.

Delimitada, a atual área do município equivale somente a 45,45% da área original de 11.691 Km², antes das emancipações de Timon, Aldeias Altas, Coelho Neto, Codó, São João do Sóter. É limitada; ao norte pelos municípios de Codó, Aldeias Altas e Coelho Neto; ao sul pelos municípios de São João do Sóter, Governador Eugênio Barros, Parnarama, Matões, e Timon; ao leste pelo Estado do Piauí; a oeste pelos municípios de Buriti Bravo e Gonçalves Dias.


Gonçalves Dias Teixeira Mendes

Para o orgulho de todos caxienses, a cidade de Caxias está eternizada pelos seus filhos: o poeta, Antônio Gonçalves Dias, e o filósofo, Raimundo Teixeira Mendes, em dois dos principais símbolos nacionais: o Hino Nacional Brasileiro e a Bandeira Nacional Brasileira, respectivamente.

No Hino Nacional Brasileiro, há em uma das suas estrofes dois versos do poeta Gonçalves Dias:

“Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida em teu seio mais amores.”

Na Bandeira Nacional Brasileira, há a insígnia no centro extraída do Lema Positivista escrito pelo seu idealizador e filósofo caxiense Teixeira Mendes:

“O povo brasileiro assim como a maioria dos povos ocidentais acha-se urgentemente solicitado por duas necessidades, ambas imperiosas e que se resumem em duas palavras:

“ORDEM E PROGRESSO”.

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“Devemos, pois, pugnar por essas características, e, sobretudo, pelo cunho cívico de amor a nossa  terra.” GD.

Wybson Carvalho é poeta e membro da Academia Caxiense de Letras.

 

 

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Vespasiano Ramos II

(FONTE: COLUNA CAXIAS EM OFF, DE JOTÔNIO VIANA).

Os restos mortais de Vespasiano Ramos repousam no Cemitério da Paciência (foto), em Porto Velho, Rondônia. Patrono da cadeira nº 32 da Academia Maranhense de Letras, da nº 40 da Academia Paraense de Letras e da nº 05 da Academia Caxiense de Letras, o caxiense Vespasiano Ramos morreu em Porto Velho. Em Rondônia, o escritor tem reconhecimento oficial como homem das letras…

Promessa

…Também caxiense, o ex-governador e ex-prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), faz bastante tempo, prometeu trazer para o Maranhão os restos mortais de Joaquim Vespasiano Ramos (1884-1916). A promessa de Castelo, conterrâneo e parente de Vespasiano Ramos, em visita à ACL, foi feita ao então presidente da Academia Caxiense de Letras Jacques Inandy Medeiros e aos seus confrades Renato Meneses, Jotônio Vianna, Edson Vidigal e Wybson Carvalho, dentre outros presentes no encontro…

Lei 4225

…Ainda na década de 80 do século passado, quando João Castelo exercia a função de chefe do Executivo Estadual no Maranhão, este sancionara a Lei nº 4225, em 18 de novembro de 1980, que autorizava o traslado dos restos mortais de Vespasiano Ramos do cemitério da cidade de Porto Velho para a cidade de Caxias…

Proposição

…O Projeto de Lei nº 055/80 fora proposto pelo então deputado estadual (também caxiense) João Afonso Barata, o qual aprovado e devidamente encaminhado pela Assembléia Legislativa ao Poder Executivo do Maranhão. Barata justificara a Lei pela consagração pública aos homens, que, em vida, em face ao cunho cultural, elevaram o nome do Maranhão nas letras e nas artes.

Discussão

…Àquela época, a imprensa e os intelectuais da Academia Maranhense de Letras não discutiram nem fizeram menção alguma sobre o porquê do não cumprimento da Lei sancionada por João Castelo…

Cumprimento

…Agora, no entanto, os imortais caxienses consideram que já passa da hora a necessidade do cumprimento da Lei que autoriza o traslado dos restos mortais de Vespasiano para a Princesa do Sertão…

Versos

…Nascido na sede do município de Caxias, no largo da Igreja de São Benedito, desde menino, nas horas de folgas, o poeta talhava versos em papel de embrulho, em instantes solitários a um canto da loja…

Companhia

…Autodidata, já rapazinho, sempre estava em companhia dos mais velhos e influentes intelectuais caxienses do início do século passado e só se sentia verdadeiramente à vontade em saraus, tertúlias e assembléias literárias, o ambiente onde sua alma sensível transpunha o corpo de estatura média e de pele morena…

Admiração

…O talento de Vespasiano, já naqueles idos, causava admiração nas belas moças caxienses de então. Dentre seus amigos e companheiros, amigos da poesia e da boemia, podemos elencar os que lhe influenciaram: Alfredo Assis de Castro, Joaquim Luz e João Rodrigues (Fundadores do jornal a Mocidade), Carvalho Guimarães, Miguel Beleza, Milton Vilanova, Professor Melo Vilhena, Leôncio Machado Filho (Diretor do jornal O Paiz), Nereu Bittencourt, Durval Vidigal, Cromwel Carvalho (Editor do jornal O Bloco), Raimundo Costa Sobrinho (Proprietário do jornal O Maranhão) e o velho Jornalista Luís José de Mello (Diretor-proprietário do Jornal de Caxias)…

Produção

…Segundo Raymundo Carvalho Guimarães, da Academia Maranhense de Letras, Vespasiano Ramos escrevia para todos os jornais caxienses e maranhenses da época e “publicava os seus versos, não só sob o nome como pseudônimos diversos, entre os quais o mais popularizado o de Djalma de Jesus”. Ademais, a pesquisa histórica comprova que entre os anos de 1903 e 1916, Vespasiano Ramos colaborou significativamente com os seguintes jornais caxienses: O Zéphiro, Correio do Sertão, O Janota, O Parnaso, O Independente, O Binóculo, Jornal do Comércio, O Parthenon, A Luz, A Gruta de Lourdes, A Pena, O Mensageiro, A Renascença, O Sabiá, O Lilaz, O Caixeiro, Belo Horizonte e O Bloco (O texto acima é do poeta e acadêmico caxiense Wybson Carvalho).

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Vespasiano Ramos, enterrado e esquecido

Que ele foi uma personalidade de alto nível cultural, conhecido em todo o Brasil e exterior, quase todo mundo sabe. O que muita gente não sabe, no entanto, é que o ilustre e saudoso poeta Vespasiano Ramos viveu os últimos dias de sua vida em Porto Velho, onde morreu (aos 32 anos de idade) e foi sepultado no dia 26 de dezembro de 1916, no legendário Cemitério dos Inocentes, na Capital rondoniense.

Até hoje é uma celebridade admirada e reverenciada por toda essa nova geração de poetas, dentre os quais citam-se: João Teixeira de Souza (JT), Francisco Matias, Matias Mendes, Emanuel Pontes Pinto, Sílvio Persivo e a sempre irrevererente Yêdda Pinheiro Borzacov.

Poeta de um livro só, ‘Coisa Alguma’, com apenas três edições desde 1916, Vespasiano Ramos alcançou a imortalidade com poesias simples e cariciosas, em que tão nitidamente se refletem os seus estados de alma.

Filho de Antônio Lúcio Ramos e Leonília Caldas Ramos, nasceu Joaquim Vespasiano Ramos (Quincas, na intimidade e nas rodas boêmias), em Caxias, no Maranhão, a 13 de agosto de 1884, no largo da Igreja de São Benedito, hoje Vespasiano Ramos.

Embrulho

…Segundo o escritor maranhense Walfredo Machado, Vespasiano Ramos “começou a trabalhar no comércio como caixeiro, desde os 13 anos, interessado pelos estudos, aprendia sozinho, sem professor, a um canto da loja, nos momentos de folga, escrevendo versos em papel de embrulho”…

Grupo

…No início do século participava de um grupo intelectual formado por Alfredo de Assis Castro, João Rodrigues e Joaquim Luz, época em que criaram o jornal “A Mocidade”. Outros jornais surgiram em Caxias, como o “Jornal do Comércio”, “O Sabiá”, “O Mensageiro”, “O Zéphiro” e o “Correio do Sertão”, onde eram publicados os versos de Djalma de Jesus – um dos mais conhecidos pseudônimos de de Vespasiano Ramos…

Sentimental

…Passou grande parte de sua vida em Belém, para onde afluíram homens de letra como Humberto de Campos, Lucídio Freitas e Quintino Cunha… Para a escritora Yêdda Borzacov, Vespasiano Ramos era “sentimental por índole e por condição de vida, torturado por um grande amor sem esperança”. Segundo Francisco Matias, o saudoso poeta procurou na poesia uma compensação para os momentos de intimidade com sua alma, nas horas não dissipadas na voragem da sua boêmia…

Lirismo

…A revelação de um grande poeta lírico, que, mesmo com seus defeitos e descuidos, pode ser colocado no mesmo plano de um Paul Géraldy e muitos poetas amorosos do seu tempo, demonstra toda a beleza de seus versos, quando proclama:.. É o amor, o amor, a causa extraordinária/Deste grande sofrer, desta grande tortura:/Só ele faz penar minh’alma solitária/No cárcere de dor desta alta desventura…

Romântico

…Para Matias Mendes, Vespasiano Ramos “não passou de um suave e delicado romântico, notando-se em sua poesia repassada de ternura e melancolia o vestígio daquele legado de tristeza e desalento que nos veio do século XIX”… Entusiasmado pelas publicações de “Sombra Pagã” e de “Carvalho Guimarães”, Vespasiano Ramos retornou a São Luís onde residia seu irmão Heráclito Ramos, também poeta, com o fim de custear sua estada no Rio de Janeiro e a publicação de “Coisa Alguma”. Além do apoio, ainda ganhou a companhia do próprio irmão. E, das mãos do editor Jacintho Ribeiro dos Santos, surgiu “Coisa Alguma”, em 1916. “Tenho o privilégio de possuir um volume dessa edição”, ressalta Yêdda Borzacov, lembrando que foram impressos apenas mil volumes.

Academia

…Segundo os historiadores porto-velhenses, em 1913 foi fundada a Academia Paraense de Letras. Carlos Roque, em sua Antologia da Cultura Amazônica, Vol. II, afirma que Vespasiano Ramos pertenceu a essa Instituição a qual, muitos anos depois, criou um concurso de poesias com o nome de Vespasiano Ramos, patrono da Cadeira nº 40 da citada instituição. Elmano Queiroz, atual ocupante da Cadeira, elogia o poeta: “Vespasiano cantou como cantam os passarinhos, improvisando harmonias, sem partitura escrita, mas em arroubos sutis de suave inspiração”…

Flores

…Um fato curioso e que, talvez, poucas pessoas saibam: em 1948, Anísio Viana, modesto caxiense, juntou algum dinheiro e veio a Porto Velho, com a finalidade única de depositar flores e acender velas no túmulo do poeta, no Cemitério dos Inocentes, deixando-se fotografar. Essa foto, segundo o professor Cid Teixeira de Abreu, se encontra no arquivo da Academia Maranhense de Letras, da qual Vespasiano Ramos é patrono da Cadeira nº 32…

Glória

…“A glória de um poeta vem quando ele passa a ser recitado, na rua, na praça, nas escolas, nos bares e botequins: é a glória da popularidade. E esta Vespasiano Ramos já tem”, acrescenta a historiadora, que é filha do saudoso doutor Ary Tupinambá Penna Pinheiro, também poeta e escritor (O autor do texto acima é Cláudio Paiva, escrito para a revista Momento Brasil – Gente de Opinião).

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Velha Guarda Caxiense na Torcida pelo Brasil

E aí? Todo mundo na torcida pela nossa seleção nossos craques, nosso país nessa batalha do bem. Vamos torcer pelo hexa! Mas sem nos esquecermos que do dia 29 de julho até 02 de agosto, nos temos um compromisso: o III Encontro da Velha Guarda Caxiense. Vai ser em Caxias – e, com certeza, a gente já vai ser hexa e ter razões ainda maiores para comemorar. As camisas estão sendo vendidas ao preço único de R$150,00. Os pontos de venda são: Academia Caxiense de Letras, Moda Casual e Posto Atlanta.  É Caxias, É Brasil. É a Velha Guarda aí, geeeeeeente….

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