JORNAL PEQUENO

Caxias em Off

Jotônio Vianna

07 de outubro de 2014 – Terça-feira

Cultura & Variedades

Canção ao exílio

O poema Canção ao Exílio é de autoria do poeta e membro fundador da Academia Caxiense de Letras (ACL) Wybson Carvalho, cadeira nº30 patroneada pelo poeta João Vicente Leitão. No qual temos como temática central o saudosismo em relação à cidade de Caxias, a respeito dos tempos de sua infância. O poeta inicia o mesmo saudando a beleza da cidade e das palmeiras de outrora.

Como primeiro elemento significativo, temos a análise do próprio título que nos remete ao conhecido poema Canção do Exílio, do também poeta caxiense Gonçalves Dias, porém, o “exílio” difere nos dois poemas, pois enquanto o poema gonçalvino tece elogios à terra da qual está ausente e a compara com outras que segundo ele possui menor beleza, o outro lamenta a realidade em que vive nesta terra, Caxias. Dessa forma o sentimento que é expresso, tem como alicerce a fuga, tanto que se recorre ao exílio como saída da inquietude em que se vive.

De acordo com seus segmentos estruturais, o poema é composto por 21 versos e quatro estrofes, sem a presença de rimas, sendo constituído por uma oitava (estrofes com 8 versos), uma sextilha (com 6 versos), uma quadra (com 4 versos) e por um terceto (com 3 versos), não possuindo, assim, uma forma fixa. Seguindo com a análise dos demais extratos encontramos expressões como “jardins urbanos”, que representam a bela paisagem natural que havia na cidade de Caxias, bem como a alegria que exalava do cheiro das árvores, que abrigavam os “pássaros canoros”, expressão que também se refere ao canto dos sabiás que ali estavam no alto das palmeiras, referência típica à nossa cidade.

A primeira estrofe faz uma saudação à cidade que outrora existia na infância do poeta. O eu-lírico expõe que não há mais palmeiras, no sentido de reforçar a reflexão acerca da triste realidade do ambiente caxiense, em que não há uma conscientização a respeito da preservação da nossa história e das características que tornam a cidade marcante. Os dias eram alegres, como se vê no verso seguinte: “com a minha cidade crescia/a romântica dos poetas…”, ou seja, o canto do sabiá servia como uma fonte de inspiração e tornava mais radiante a beleza do solo caxiense, berço de poetas e riquezas naturais.

Partindo para a segunda estrofe temos um olhar saudoso, ao relembrar que os dissabores ficavam em segundo plano, o poema retrata que existia um ambiente harmônico que expulsava tudo aquilo que trouxesse sentimentos contrários à amizade: “a inimizade humana/passava por sobre ela/em eólica turbulência rumo/às outras plagas”, ou seja, se dirigia para longe, para outras regiões. O homem que habitava este solo abrigava uma visão otimista da realidade e do mundo.

A respeito das duas últimas estrofes temos o sentimento de inquietação, de busca por respostas, de saudosismo a uma época diferente da que se tem agora. O eu-lírico desabafa e temos um choro de lamentação íntima, ele lembra o canto do sabiá de uma forma diferente, não se percebe o entusiasmo de antes, quando falava das palmeiras, do perfume, de como era bom viver aqui. O que vemos é um sentimento de inconformismo, pois, de certa forma era o início de um futuro, como ele mesmo diz, de regresso e de abandono. As palmeiras já não são vistas como antes, até mesmo pelo fato de muitas terem sido alvos de destruição devido à ação humana, que desmata a nossa vegetação de uma maneira desordenada. Da mesma forma, não ouvimos o som dos sabiás pela manhã, pois seus lares agora são poucos.

De acordo com essa perspectiva, Canção ao Exílio expressa um pedido de socorro, como o último apelo que se pode fazer: “e, agora, quais árvores darão/abrigo a outros pássaros canoros/para entoarem um canto de saudade?” Essa estrofe se resume ao desespero, a uma pergunta sem resposta, representa que essa saudade será eterna, que irá se perpetuar por todas as gerações que ainda virão. A terra citada por Gonçalves Dias, já não é mais a mesma, o exílio é agora, o desejo de mudança, num sentimento de frustração por ver todas as transformações sem ao menos poder fugir. Faz-se um questionamento à procura de todos os elementos citados na poesia que ultrapassou séculos, cadê as palmeiras, os sabiás, os primores. E a resposta é o silêncio, estamos perdendo aos poucos o símbolo que nos tornam singulares, “a terra onde canta o sabiá”… Publicado no sitehttp://litercax.webnode.com/news/analise-do-poema.

Canção ao Exílio

em minha terra havia palmeiras

e o canto dos sabiás.

nela, exalava o perfume

dos jardins urbanos.

dela, ouvia-se a linguagem

singela do cotidiano.

com a minha cidade crescia

a romântica dos poetas…

 

a inimizade humana

passava por sobre ela

em eólica turbulência rumo

às outras plagas,

para derramar-se noutros

cenários de ganância existencial.

 

à minha terra, na infância,

ouviam-se sinfonias sabianas

nas manhãs iniciais de um

futuro já desenhado ao abandono.

 

e,agora,quais árvores darão

abrigo a outros pássaros canoros

para entoarem um canto de saudade?

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JORNAL PEQUENO

Caxias em Off

Jotônio Vianna

30 de setembro de 2014 – Terça-feira

Cultura & Variedades

Luiz Baima

Ano de 1914, 28 de setembro seco, mas ventilado… Há 100 anos, no pequeno sítio denominado Castelo, localizado no então 2º Distrito do município de Caxias, hoje pertencente a Aldeias Altas, ouviu-se o choro de uma criança. Choro forte. No ar, a tensão dos pais eo aroma dos cajueiros, mangueiras, das umbelas dos ipês, flores silvestres… Filho de Débora Bayma Pereira e José Maria Alves Pereira Filho (o Juca Pereira), nasceu Luiz Gonzaga Baima Pereira.

Na infância simples, desprovida de bens materiais, Luiz Baima cultivou desde cedo firmeza de caráter, o que lhe rendeu posição de liderança e marcada ascendência entre os irmãos e demais familiares. Fortemente apegado às convicções e princípios éticos dos pais, amadureceu ainda jovem o respeito ao trabalho e à responsabilidade solidária.  Irrequieto e com disposição invejável, foi funcionário da antiga estrada de ferro São Luís/Teresina, agente de Estatística da Prefeitura de Caxias, secretário e delegado municipal do Serviço Nacional de Recenseamento em Caxias, comerciário, industriário e inspetor de Ensino da Secretaria de Educação do Estado do Maranhão.

Já residindo na capital do estado, foi subchefe e assessor do Gabinete Civil do governador do Maranhão. Como empresário e sócio da empresa Eugênio Barros e Cia. (depois Eugênio Barros SA, com atuação na área têxtil, de óleos vegetais e comércio exportador), contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento da Princesa do Sertão. Posteriormente, fundou a empresa Ferro, Baima e Cia., com atuação no beneficiamento de madeiras, indústria e fabricação de móveis. Na antiga fábrica de tecidos Sanharó, junto com a saudade do velho apito, ecoa reverência e gratidão a Luiz Baima pelos longos anos de vida no trabalho diuturno na instituição empresarial.

Política

Ainda não satisfeito com a vida já atribulada, Luiz Baima enveredou na lide política e sindical. Foi duas vezes um dos vereadores mais votados em Caxias (1948 e 1950). Presidente e delegado do Partido Libertador (PL), secretário e delegado municipal do Partido Social Democrático (PSD) e da Aliança Renovadora Nacional (Arena) em Caxias, além de Executor dos Trabalhos da Secretaria Geral no âmbito estadual. Da sua militância sindical resultou a criação do Sindicato dos Empregados do Comércio de Caxias, no qual consta como um dos sócios fundadores e presidente…

Jornalismo e filantropia

…Na área jornalística, foi diretor do Jornal do Comércio de Caxias; presidente, tesoureiro e secretário da União Artística Operária Caxiense; do Clube Recreativo Caxiense; e do Centro Operário Caxiense. Na filantropia, atuou na Legião Brasileira de Assistência (LBA); na Associação da Assistência à Maternidade e à Infância de Caxias, da qual é sócio fundador e um dos artífices na construção dos prédios do Posto de Puericultura Duque de Caxias e da Maternidade de Caxias, posteriormente cedidos ao Governo do Maranhão e onde funcionou o antigo Hospital Sinhá Castelo…

Prole

…Luiz Baima faleceu em 9 de abril de 2004… Da sua prole com a viúva Dona Íris Ferro Bayma Pereira, além dos familiares genros, noras, cunhados, netos, bisnetos e sobrinhos, há os filhos Antônio Rodrigues Bayma Júnior, Eliane, Maria da Graça, Luzia Marília e Jorge Luiz; já falecidos Antônio Luiz Ferro Baima Pereira e Luiz Ferro Baima Pereira…

Irmão

…O escritor e confrade Rodrigo Baima, da Academia Caxiense de Letras, é o único dos irmãos de Luiz Baima vivo, que, como tal, é também um ser humano irrequieto, profundo conhecedor da história local e estadual, de memória privilegiadíssima… O nosso ‘arquivo vivo’…

Discrição

…Apesar da profícua e múltipla atividade, Luiz Baima era um sujeito discreto, pouco dado a rapapés ou à publicidade do que fazia… Homem de bastidores, exerceuforte influência durante sua atuação no Gabinete Civil do Governo estadual…

Consulta

…Na Princesa do Sertão de sua época era sempre visitado e auscultado por políticos, empresários, sindicalistas, profissionais liberais e intelectuais com interesse na vida político-partidária maranhense…

Numa Pereira

…O irmão Numa Pereira, que idem enveredou na política local, foi vereador duas vezes (1954 e 1958) e também prefeito de Caxias duas vezes (1960 e 1980)…

Fronte erguida

…Segundo suas próprias palavras, ao completar 88 anos de idade, Luiz Baima se disse um homem de fronte erguida e serena, que o permitia contemplar o passado e o presente percorridos com honradez e realizações…

Obra

…O texto acima é baseado na obra ‘Ramas do Tempo’, da escritora Inês Maciel (com edição), membro da Academia Caxiense de Letras e sobrinha de Luiz Baima, ela própria uma confessa admiradora do percurso de vida do tio.

 

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Velha Guarda, juventude, presente

Para encerrar a pujança festiva do III Encontro da Velha Guarda Caxiense, no bom estilo do rescaldo intelectual, vai aqui um texto da professora Betânia Costa, que deixou Coimbra, em Portugal, onde faz doutorado, apenas para cair na folia tupiniquim… Inspirada, a ‘rapariga’ brasileira, agora meio lusitana, viajou na reminiscência, juntou seus resíduos sentimentais, centelhas incrustadas, fragmentos da alma… Vide lá:

A Velha Guarda

e a juventude do presente

Caxias é uma cidade singular, no seu corpo habita a força da resistência de Balaios e Bem-te-vis, nas suas veias corre o sangue lírico de poetas e escritores (as), o som suave das baladas musicais das vozes de seus cantores, dos tambores da umbanda, do urrar dos bois; a primazia do saber fazer dos artesões; o bailar dos caretas, do Lili, dos Guanarés…

Nesse universo diverso, surge o Encontro da Velha Guarda caxiense, um movimento que fortalece a identidade cultural da cidade, que agrega desejos e pessoas de várias gerações. Nele, percorrem-se locais que em tempos vivemos que a hora tardia esvaziou da gente e dos sons que o habitaram. E que neles entramos lentamente, quase em reverência. Pisamos o chão devagarinho, para não acordar o presente. Refazemos cada passo, reconhecemos a pedra torta, a árvore que falta, sabemos ainda das alegrias, do lugar dos medos, escutamos as gargalhadas, os passos, o roçar das malas de quem se vai…

Por vezes é bom revigorarmos o passado das cidades e de seus cidadãos. Buscamos neste tipo de viagem temporal não os lugares, mas a nós mesmos. Revisitamos quem fomos, relembramos um certo tipo de inocência, de otimismo e de limpidez no olhar e no final sorrimos a quem fomos com a melancolia, a maturidade e a sabedoria do presente.

A Velha Guarda é um lugar de encontros, reencontros, sorrisos, abraços e carinhos…. Parabéns aos idealizadores e organizadores do movimento (Betânia Costa)!!!…

Cortinas

…Fecham-se as cortinas… Até 2016, quando se reencontrarão todos os dinossauros caxienses!

Economia informal

De volta ao cotidiano, segue abaixo um relevante estudo do economista caxiense Kalil Simão sobre a economia local…

Economia informal II

…A economia informal em Caxias vem decrescendo nos últimos anos. No período 2003/2013 se observa queda constante nos valores que representam esta economia. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), podemos estimar os valores que a economia informal representa para o município. Ela movimentou em 2013 aproximadamente R$ 132.777 mil contra R$ 137.695 no ano anterior. A redução de 3,70 pontos percentuais decorre de gradativas melhoras institucionais, como a simplificação tributária, com o Simples, Supersimples e MEI (Micro Empreendedor Individual), desoneração da folha de pagamentos, etc…

Novas empresas

…Caxias fechou o ano de 2012 com 5.376 empresas, devidamente legalizadas, constituídas principalmente, por micros e pequenos empreendedores do ramo comércio/serviço. Em 2013 esse número passou para 6.054 empreendimentos, com a criação de mais 678 novas empresas. Evolução de 12,61%…

Novas empresas II

…Até 27 de junho de 2014, foram criadas 288 empresas no município de Caxias, ou o equivalente a 2,38 empresas abertas por dia útil, que representa 42,48% do número de empreendimentos formalizados no ano 2013…

Empreendedorismo

…Caxias é o quarto município mais empreendedor do Estado, com participação de 2,24%. Neste ano, a média diária de abertura de novos empreendimentos é de 2,38 empresas/dia útil…

Comércio

…Na análise do volume de novas empresas por setor econômico, o setor Comércio se apresenta como o mais dinâmico, com 3.401 empresas. O setor Serviços, com 2.343; o Setor Indústria com 307 empresas. O setor Agronegócio se apresenta com 187 organizações; o setor Financeiro com 88; e o Setor Público se apresenta com 16 empresas. Há de se observar que, somente no ano 2005, foram criadas em Caxias 1.146 empresas do setor Comércio; 711 do setor Serviços; 89 no setor industrial; 83 no Agronegócio; 10 no Financeiro e 4 no Setor Público…

Abertura

…Até o ano 2004 a média anual de abertura de novos negócios era de 49 empreendimentos. No ano 2005, houve abertura de 2.039 novas empresas no município e após o ano 2005, na média, foram 428 novas empresas…

Sequência

…Acompanhe na próxima coluna de terça-feira a sequência ao trabalho de Kalil Simão… Vale o registro.

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VELHA GUARDA POR JOTÔNNHO VIANA

Leite no pires

Fim de festa, malas arrumadas, adeus e pé na estrada… Como gatos que beberam com sofreguidão o leite no pires, assim se despedem os dinossauros que moram longe… Pois agora é hora de refletir sobre o legado do III Encontro da Velha Guarda e o que isso contribuiu para a Princesa do Sertão além de recarregar as baterias da turma que fica e da que se vai.

Hora de pensar, por exemplo, na personalização, em critérios que norteiem efetivamente a iniciativa, hoje dirigida mais de maneira consensual mas sem normas que oficializem coletivamente o comportamento de seus organizadores. O movimento cresceu e não dá mais para achar que o amanhã acabou numa noite de porre e puro hedonismo ao som de Renato e seus Blue Caps… O que Caxias lucrou de fato com a festança? Que influências a velha guarda deixa para modificar a cultura de enlatados que se pratica hoje neste solo de onde no passado brotaram tantos talentos que viraram faróis para o Brasil e o mundo?… A Velha Guarda, de certa forma, lembra um pouco as grandes festas de São Benedito, que após ser encaradas como pagãs pela Igreja Católica tiveram fim melancólico.

A diferença exponencial da Velha Guarda se encontra exatamente na liberdade de não estar vinculada a credos políticos ou religiosos. No apartidarismo a que me referi na coluna de ontem está o valor intrínseco e a própria sobrevivência do movimento… E, desvinculado de amarras similares, terá inconfundível capacidade de mudar, sim, o norte cultural da cidade.

Curvas

Nas curvas que não são da estrada de Santos, mas do Morro do Alecrim, na sexta-feira, de tudo se viu e ouviu: repertório digno dos dinossauros e, ao final, o Boi Barrica…

Símbolo

…Um pouco adiante fica o Clube Alecrim, onde a festança acabou de ontem para hoje… Exemplo de esquecimento e desleixo, o Alecrim é um símbolo solitário do que restou do conjunto de outros clubes locais…

Improvisação

…Para que a festa ali acontecesse foi preciso improvisar uma estrutura minimamente adequada… No local antes imponente, só as paredes cochicham sozinhas a maior parte do tempo…

Lembranças

…Como o Casino, a União Caxiense, o Centro, a Maçonaria, hoje personagens da imaginação que sobrou nas massacradas lembranças de uma Princesa do Sertão do passado…

Copo vazio

…Como diria o velho Chico Buarque, “é sempre bom lembrar que o ar sombrio de um rosto está cheio de um ar vazio, vazio daquilo que no ar do copo ocupa um lugar… É sempre bom lembrar, guardar de cor, que o ar vazio de um rosto sombrio está cheio de dor”…

Kafkiana

…A metamorfose paulatina no patrimônio artístico, arquitetônico e memorial local foi deveras kafkiana… Desde o final do século passado, tudo se destrói e nada se reconstrói, templos humanos se transformaram em entulhos, restos jogados ao chão onde baratas e ratos é que fazem a festa…

Centelhas

…No fundo, a Velha Guarda também representa essa crise de identidade caxiense, na qual seus indivíduos se apegam a centelhas do passado para viajar na ideia de que vive uma realidade de antes que hoje é apenas surreal…

Submissão

…Na submissão dos dinossauros ao imaginário do que foi vivido, o que é absurdo, porém, vira de fato hipóteses que se confundem na tênue linha do fio invisível entre o real e a ficção…

Resgate

…No caso de Caxias, é possível sim mudar as coisas pela via do resgate da importância dos símbolos regionais. Aqui há uma história densa, um patrimônio imaterial gigantesco a ser explorado…

Flip

…Pegue-se o exemplo da pequena e histórica Paraty, de calçadas de pedras, e de seu festival literário, a Flip, idealizado pela editora inglesa Liz Calder e organizado pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), à frente o arquiteto Mauro Munhoz, com mais de 200 eventos anuais…

Sucesso

…Da primeira Festa Internacional de Paraty, em 2003, dez anos depois é sucesso absoluto no mundo inteiro… Detalhe: a cidade de Paraty é criança de berço quando comparada ao legado literário que a Princesa do Sertão ostenta…

Impossível

…A distinção entre Caxias e Paraty, porém, é que lá houve vontade, disposição e integração para tornar a Flip o que é hoje… Como ficou demonstrado na prática, o sonho de um somado ao de outros vence o que se acha impossível.

———————GONZO——————

Adrenalina!!! – Para relaxar: como piada na cidade, se diz que o estoque de gelol acabou nas farmácias em Caxias. Tomados de adrenalina, os dinossauros esqueceram as naturais barreiras humanas e partiram com tudo para os quatro dias de Velha Guarda… Esforço físico, corações estimulados, elevação da tensão arterial são uma beleza!!! Haja calmantes e ‘gelóis’!!!… Agora, quem não conseguiu mais o gelol foi mesmo de sebo de carneiro derretido!!!… E lá vamos nós de cabelão na BR3, ao som de Toni Tornado!!!

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Velha Guarda Caxiense por Jotônio Vianna

Caxias em Off

Jotônio Vianna

Velha Guarda Caxiense

Na sua terceira edição, a Velha Guarda Caxiense já é um dos maiores eventos do gênero no Maranhão e no país. Grandes nomes da música nacional já embalaram a principal noite do encontro no berço do poeta Gonçalves Dias. Antes, nos três dias que compõem o resgate das lembranças e das emoções dos ‘dinossauros’, acontece vasta programação que junta no mesmo caldo exposições de arte, de humor, lançamentos de livro e muitos, muitos ‘chapéus’ repletos cropped-CAPA-VELHA-GUARDA.jpgde história de outros carnavais… Memórias das memórias, revivescências, infância e adolescência à flor da pele, temperadas da fase madura que embala o passado e o cotidiano de todos os que acorrem à Princesa do Sertão para esse momento único de prazer e de reencontro de uma época em que os sonhos conduziam moços e moças para um futuro mágico.

Feliz para sempre

Naqueles idos quase ninguém pensava em outra coisa que não apenas em ser feliz para sempre… As cabeças eram uma bolha esfuziante, pensamentos pueris. Quase todos, com raras exceções, tinham na mente um mar de ‘loira, champanhe e apartamento’, como cunhou o irreverente jornal Pasquim, espécie de porta-voz da turma da patrulha ideológica da chamada esquerda brasileira de então sobre os que gostavam de Iê Iê Iê, de Jovem Guarda, de rock’n’roll…

Cabeças

…Mas havia também os ‘cabeças’, antenados com os movimentos sociais e que curtiam o som da rapaziada que fazia música de protesto, apreciadores de MPB…

Abraço forte

…Essa mistura democrática de estilos, visões e de modo diferentes de encarar a vida chegou ao presente, mas não para dividir, e sim para unir ainda mais as pessoas que viajam quilômetros e quilômetros, de todas as partes do Brasil e até do exterior, para dar um abraço forte no amigo, na amiga, nos parentes, nos achegados que habitam suas lembranças…

Lambuzam

…Os antenados em Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Moraes, Tom Zé e outros monstros agora se ‘lambuzam’ em um riso só, numa gargalhada só, com o pessoal das ‘bolhas espumantes’ de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys, The Fevers, Os Incríveis, The Beatles, etc, etc… Todos, sem medo de ser feliz, agora no presente, como os mesmos ‘dinossauros’ sonhavam no passado…

Jovens tardes

…Das jovens tardes de domingo, dos vesperais no Cine Rex, no Cine São Luís, dos rodopios ingênuos nos bancos das Praças Gonçalves Dias, Matriz e Panteon quando caía a noite… Dos bailes do Casino, da União Artística, do Centro, do ‘mata-fome’ de madrugada na Dica, das passagens pela Madame Diracy, ícone dos puteiros do século passado na Princesa do Sertão, da Calçada Alta, da Boate Madrid…

Recato

…Das moças de corpos com vestidos longos, das pernas que mal se divisavam, dos seios recatados, dos pudores que a sociedade impunha na ânsia de refrear os instintos…

Fumaça

…Todo um tempo que se foi na fumaça das idades, no cálice com vinho Sangue de Boi, Cabeça de Touro, no uísque de terceira, na cachaça boa da terra, nos fritos de galinha roubada em ‘Sábado de Aleluia’, nos cigarros de palha, no Continental sem filtro, nas noites de Lua cheia regadas a violão, papo divertido e janelas entreabertas das meninas que davam ponche para lavar a alma descompromissada…

Arca

…É atrás disso, do passado, das memórias das memórias que a rapaziada se junta, se aglomera de novo na Princesa do Sertão em busca do que já parecia perdido e enterrado numa velha arca de dimensões intangíveis…

Equipe

…Dos que pensaram, idealizaram o ajuntamento da Velha Guarda há muitos… Hoje à frente uma equipe desprendida, mas que também se apoia em vários outros integrantes que se irmanam para não deixar que nada estrague a festa…

A lamparina

…Por isso, é preferível não citar nomes, embora todos saibam quem de fato toca a coisa… São homens e mulheres que, no fundo, lutam apenas para manter acesa a lamparina das lembranças e mostrar aos caxienses mais jovens que a Princesa do Sertão é dotada de um espírito único…

Hedonismo

…Nossos símbolos de uma estação que não volta mais, portanto, seguem iluminando, resgatando, fazendo pulsar de novo os ritos de transição das gerações que beberam da década de antes de 60 para além de 70, 80 do século passado e que, com certeza também darão vida memorial aos que, no futuro, irão repetir a façanha de fazer renascer tudo de novo, como se fora uma Fênix que encarna o espírito de seus ancestrais… Congelai o tempo, ó dinossauros, e roguem ao bom hedonismo, o que não apenas procura o prazer, mas também a revitalização de tudo o que o espírito é capaz de trazer de estimulante ao presente!

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